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Teatro

O Bordel das irmãs metralha
Isabel Bonorino

Teatro Carlos Carvalho lotado e uma fila de cerca de 30 pessoas me jurando de morte se eu entrasse na frente deles para ver a peça. Cadeiras extras foram colocadas, mas, tudo bem, assisti à peça de um local privilegiado, embora nada confortável. Sentada em um banquinho junto aos técnicos da sonoplastia e iluminação, pude conferir o último dia da peça de Zé Adão Barbosa dentro do Porto Verão Alegre. E põe alegre nisso!

O local não poderia ser mais apropriado para o espetáculo, que se passa em um bordel antigo e decadente. As paredes sem acabamento da sala Carlos Carvalho da CCMQ compuseram o clima out da peça com perfeição. “O cenário tem que se adaptar a cada teatro, o prédio com paredes à vista ajuda a ideia da decadência, explica João Carlos Castanha, ator e roteirista da peça.

Bandidas, mas com brilho e glamour

Mamãezinha Querida, uma cafetina decrépita, amarga sua depressão e pensa em se matar quando uma tempestade leva a seu bordel quatro aspirantes à vida nada fácil. Quem gosta de cinema percebe logo de onde veio a ideia para criar a personagem principal. Inspirado no filme de mesmo nome, Mamãezinha Querida, onde brilha Faye Dunaway, no papel da atriz Joan Crawford, que maltrata os filhos ao mesmo tempo em que passa a imagem de boa mãe ao público), a cafetina da montagem gaúcha recebe com humor ácido suas `novas meninas`.

Todas têm uma tragicômica estória para contar. Elas cantam, dançam, representam e resolvem se unir para ganhar dinheiro e tirar o pé da lama. Como? Reabrindo o bordel e focando sua propaganda para atrair políticos corruptos para gastarem o dinheiro que escondem em suas cuecas e meias. Mal intencionadas, como as personagens dos quadrinhos, elas bolam um plano infalível. Tal como um BBB - Big Brother Bordel, elas colocam câmeras escondidas para gravar as peripécias dos políticos nas noitadas do cabaré para depois fazer chantagem. E, para atrair seu público, as Metralhas preparam o show com o que de melhor sabem fazer: cantar e dançar.

A partir daí o que se vê é um espetáculo à parte. Recheado de comentários irônicos, citações de clássicos do cinema, ou mesmo referências a personalidades locais, os atores aproveitam suas personagens para mostrar, além de suas caras e bocas mais engraçadas, seus talentos musicais. E começa o show de dublagem, segundo Castanha, não proposital, cujo destaque fica com a performance perfeita de Lauro Ramalho, com sua Beatriz. Castanha conta que a comédia musical foi escrita com sugestões dos próprios atores. Com isso, o grupo evitou a comparação com um show de dublagem, onde é necessário parar tudo para dublar, sem ter link nenhum com a história.

Luísa Felpuda vive

A maquiagem de “Mamãezinha Querida” lembra uma caricatura de Joahn Crauford, mas as curiosidades não param por aqui. Castanha conta que a personagem também foi inspirada em um travesti conhecido como “Luísa Felpuda”, que, nos anos 80, tinha um cabaré nas proximidades da Rua Barros Cassal. A cafetina, que segundo contam, foi assassinada por seu gigolô (que a matou a golpes de pá e, não satisfeito, tacou fogo em seu corpo), costumava ter como clientes pessoas famosas da cidade. “O visual de Mamãezinha querida tinha que ser algo caquético; Luiza Felpuda vivia de roupão dentro de casa. São histórias que ouvi contarem dela”, revela Castanha.
É bem verdade que não chegamos a ver o desfecho total da história. Nada de políticos freqüentando o bordel, ou sendo extorquidos, o que seria engraçado; porém, isso não tira o brilho do espetáculo.

E fez-se a luz

Assisti a tudo do lado dos técnicos de som e luz, e ali percebe-se mais detidamente a sincronia dos mesmos com os atores que estão em cena. Seja nas marcações de efeitos sonoros, como um trovão, ou na aparentemente simples discotecagem, tudo ganha outra cor, ainda mais visto dali. Quando alguém que está nos bastidores fazendo seu trabalho rotineiro ainda consegue rir muito do que seus colegas estão apresentando no palco, é sinal de que a peça, no mínimo, é bem engraçada. E esse foi um espetáculo a parte. Trabalho e diversão não tem preço.

Um mês de ensaio no TEPA e lá se foi a quinta temporada de O Bordel das Irmãs Metralha. “Para mim, é uma das melhores peças que fiz em 30 anos”, fala com orgulho, Castanha. O ator também esteve em cartaz no Porto Verão Alegre com as peças “Adolescer”, há 7 anos nos palcos, e Monstras S/A. Com 30 anos de carreira, tem como destaques peças como “Aurora da minha vida”, “Escola de Sereias”, além de ter participado da 1ª montagem de “O Menino Maluquinho”. Em cinema, fez filmes como “O Mentiroso”, e curtas como “Quarto de espera”. O Bordel das Irmãs Metralha deve voltar em cartaz no meio do ano.

No elenco estão Dandara Rangel, Everton Barreto, Glória Crystal, João Carlos Castanha e Lauro Ramalho. Roteiro de João Carlos Castanha e de Zé Adão Barbosa, cenografia de Luiz Sentiger, figurinos de Naray Pereira e iluminação de Carlos Azevedo. Direção de Zé Adão Barbosa.


11/02/2010

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Comentários:

Meu Avo Conheceu A Luíza Felpuda Em 1976...3 Anos Da Morte Deste. E...Ele Me Contou Uma Vez...Que Esse Fato De Ela Andar Sempre De Roupão Em Casa...Era Verdade Mesmo.
Fantasma Da CPI, Osasco 07/06/2014 - 18:44
qua-qua-qua
Didi, Canoas 20/05/2010 - 12:52

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  Isabel Bonorino

Isabel Bonorino é jornalista, radialista e relações públicas. Musicista, dedicou-se ao canto lírico de 1995 a 2005, atuando como soprano nos corais da Ospa e PUC. Foi colaboradora da Revista Literária Blau e produtora/apresentadora na Rádio da Universidade, onde criou o programa "UFRGS em Canto". Atualmente é produtora e repórter da TV Assembléia.

isabel@artistasgauchos.com.br
twitter.com/ISAbonorino


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