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Resenha

Bacurau
Marta Helena Xavier

Um soco no estômago.

Um grito no meio da noite escura.

Um zumbido que desacomoda os sentimentos.

Uma bofetada que nos joga ao chão.

Num futuro pouco distante, uma pequena cidade do sertão nordestino se vê ameaçada pelo desconhecido precisando se defender. Esta é a síntese do filme Bacurau, dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Lançado nos cinemas no final de agosto depois de ganhar o Prêmio do Júri no festival de Cannes e melhor filme nos festivais de Munique e Lima.

É uma aula de resistência onde uma comunidade, que respeita sua história, luta por sua sobrevivência dentro de um mundo hostil.

A partir da morte de uma moradora a comunidade descobre que sua cidade saiu do mapa e mortes começam acontecer. Logo chegam à conclusão que estão sendo atacados e precisam identificar o inimigo criando um meio coletivo de defesa.

Aos poucos vamos sendo impactados com uma violência muito real e próxima de nós. Algumas cenas têm o DNA de Tarantino. Impossível não sentir na pele tamanha alegoria com o nosso presente. Nossos sentimentos estão todos ali a nos sacudir e ao mesmo tempo a nos dar a mão, indicando um caminho para sairmos do hoje que nos espanta e paralisa.

A quantidade de simbolismos atirados na nossa cara nos desacomoda e inquieta. Ficamos como esfomeados diante de um banquete. Não sabemos usar tantos talheres e copos diante de nós. Acabamos comendo com as mãos, mastigando rápido, sem sentir o gosto por completo de cada iguaria.

A história termina e nos deixa com a sensação de precisar ver mais uma vez, fazer o resgate do que ficou para trás. Precisamos do silêncio, da pausa, da vírgula e do vácuo para nos recompor diante da ferida exposta.

Doem as entranhas.

Vai embora a noite.

A esperança cutuca o medo.

As feridas ardem no chão.

13/09/2019

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Comentários:

Muito boa a crítica, Marta. Instiga a ver o filme, passa o sentimento que ele transmite.
liliane goncalves, porto alegre 15/09/2019 - 00:47
Muito bom! Deu vontade de assistir o filme!
Ana Maria Cavedon, Porto Alegre 14/09/2019 - 09:41
Adorei o texto! Vou ver o filme!
VERA LUCIA DE OLIVEIRA, Canoas 14/09/2019 - 07:25
O dom espera a oportunidade na agenda da vida e se manifesta plena e radiante, parabéns MARTINHA
tania m da s alegre, porto alegre 13/09/2019 - 23:47
És muito criativa! Adoro teus escritos! Parabéns
Excelente resenha! Vou assistir.
Maria Augusta Kniphoff, Porto Alegre 13/09/2019 - 22:29
Parabéns!Marta,
após a tua escrita impossível não assistir ao filme. Resistir é preciso.
Vanda Maria Viegas Bento, Porto Alegre-Rs 13/09/2019 - 21:22

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  Martha Helena Xavier

Martha Helena Xavier é graduada como enfermeira pela UNISINOS, servidora pública da PMPA,aposentada. A escrita sempre perambulou pela sua vida sem maiores pretensões. Em 2018 fez uma oficina de crônicas na Metamorfose e atualmente é aluna do curso de formação de escritores na mesma escola. Participa do Curso Livre de Formação de Escritores da Editora Metamorfose.

martahx@yahoo.com.br


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