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Laís Chaffe
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Nascida em Porto Alegre em 1966, Laís Chaffe é diretora e roteirista do documentário Canto de cicatriz (37min e 18min, 2005) – Prêmio Direitos Humanos no RS; Galgo Alado de melhor vídeo brasileiro independente e de melhor vídeo social no Gramado Cine Vídeo; destaque feminino no Festival Tudo Sobre Mulheres de Chapada dos Guimarães -; diretora e roteirista do curta-metragem Identidade (15min, 2002); e roteirista e produtora executiva do curta Colapso (15min, 2004). Autora de Não é difícil compreender os ETs (contos, AGE, 2002, 112p), idealizou e coordena a Casa Verde (www.casaverde.art.br), troféu Açorianos como Editora Destaque no Rio Grande do Sul. Pela Casa Verde, editou a antologia de contos Fatais e organizou os livros da Série Lilliput, dedicada a minicontos, Contos de bolso, Contos de bolsa e Contos de algibeira. Participou de várias antologias, entre elas Contos do novo milênio (organização Charles Kiefer, 2006). Jornalista , trabalhou no Correio do Povo, Jornal do Comércio e Rádio Bandeirantes.


Cidade Porto Alegre
E-mail lchaffe@gmail.com
Site www.chaffe.com.br

 

Mais informações

FOTOS:

Entrega do Galgo Alado de melhor vídeo brasileiro independente no Gramado Cine Vídeo 2006.

Encuentro de Escrituras em Maldonado (2007): Da esq. p/ dir.: Edson Cruz, Ana Maria Gonçalves, Laís Chaffe e Aldyr Garca Schlee.


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Minicontos e maxiqualidade

A suprema economia de palavras – o que torna cada vocábulo necessariamente preciso e quase insubstituível – talvez aproxime o miniconto mais do poema, pela característica citada, do que do conto padrão. É como se a criança recém nascida fosse mais parecida com um primo, digamos, do que com o pai. Enfim, assim como exige o fazer poético (uma lapidação e um foco praticamente fonema a fonema, sílaba a sílaba, sem esquecer o todo), também o cultivo do miniconto não deixa por menos - sem trocadilho.

Aliás, para que esta criança sobreviva por si mesma, necessita ser assim, impecável. Pois não pode utilizar os recursos mais amplos das narrativas longas, com sua gama de climas, cenários e situações várias, e personagens à vontade. No presente caso, o autor só pode contar com a força concentrada do minimalismo.

Saindo das generalizações e fechando em close num exemplo concreto, temos em mãos “Minicontos e muito menos”, dividido meio a meio, como os valetes do naipe, por Laís Chaffe e Marcelo Spalding. Auxiliado por ótimas ilustrações sem meios tons de Alexandre Oliveira, o minilivro da Editora Casa Verde (www.casaverde.art.br) merece ser lido – e comentado.

Classudo, foge da tentatação de chamar de miniconto alguma frase de efeito ou uma piada – facilitário a que não resistem muitos outros praticantes.

Estes dois autores, aqui, provam que é possível ir longe com este ente literário de pernas curtas, o tal miniconto. Os climas, as sugestões, o duplo sentido, sobrevoam – do sublime ao sórdido - um quase nada de letras. 

Confiram o acordo fáustico de Spalding, à página 22 do seu lado do livro:
Chegou tua hora, Serás moleque travesso, jogarás bola e bolita e botão, terás mulheres, filhos, carro e emprego. Gostarás de ir à praia e conhecerás o Rio de Janeiro, comprarás casa, terreno, assistirás ao teu time ser campeão do mundo, mas, antes dos cinqüenta, um disparo repentino levará teus movimentos, tua voz, tua fome. Topas?

“Velório”, de Laís, é sarcástico:
Cinco da madrugada. Convencem o viúvo a comer um sanduíche. Uma mosquinha ronda o presunto.

É... e que o tal sanduíche sirva de aperitivo, sem mosca, para que se abocanhe as demais histórias – minihistórias, com maxiqualidade.

Aliás, no caso, acho que já escrevi demais.
José Antônio Silva, http://lavralivre.blogspot.com 01/10/2013 - 15:215210
Prezada Laís:

Li agora. Não é difícil compreender os ETs guarda a mesma prosa inventiva, ligeira, inteligente, que já havia me surpreendido há alguns dias com Telesserviços. Não é difícil gostar. Parabéns, fica aquela certeza de que é só o começo. Há momentos antológicos e personagens que demonstram desde já o destino ascensor; Cândida Rosa e Edmilson José que o digam.
Obrigado pelo prazer da leitura. Li com sede, vou reler com sofreguidão. Espero que encontre nas Tílias a mesma boa sombra das Laranjeiras.
Com admiração e afeto,

Fernando Neubarth, 01/06/2005 - 00:004838
É impressionante como vocês da Comunicação (embora haja exceções) têm esse controle sobre as palavras que nós, escritores de outras áreas, não temos. É a frase certa para a informação certa, mesmo que a intenção seja desconcertar. (...)


(...) destaco O retrato do velho (a força do simbólico sobre a realidade), Por que parei (um mini-tratado sobre a função da literatura na vida do autor, que fica ainda mais forte porque a narradora não percebe a grandiosidade da coisa, deixando essa conclusão para o leitor – gosto demais desse tipo de literatura, que é clara e impactante para o leitor sem necessariamente que a reflexão saia das palavras dos personagens, ou até o contrário, quando o personagem tem uma reflexão claramente equivocada a respeito de sua realidade existencial), Valsa do poderoso chefão (com o subtexto mil vezes maior que o texto), Salto (uma inversão fantasiosa que nos remete aos verdadeiros valores, o que é irônico, no mínimo), e Freeways (código delicioso no qual ficou, pra mim, faltando aquela última pecinha decifratória, o que deu o mérito maior do texto).
Leonardo Brasiliense, 21/01/2005 - 00:004841
Levei teu livro a tiracolo na viagem que fiz no feriadão; li inteiro, de uma sentada, e gostaria de te dar parabéns: gostei muito dos teus contos, em especial de Um espelho no convento.


Filipe Bortolini, 28/11/2004 - 00:004840
(...) concluí a leitura do teu Não é Difícil Compreender os ETs. Li "de uma sentada", como se costuma dizer por aqui, e gostei muito. As histórias são curiosíssimas, todas inusitadas e muito estranhas, para além do que se pede de um bom conto. (...)

Gosto muito de contos curtos, (...) e tenho profunda admiração por quem consegue escrevê-los mais longos, sem com isso pôr em risco a atenção do leitor. No teu caso, tens estofo lingüístico e humano para fazê-los de qualquer tamanho (...)

Monotonia é um belo conto, desses que desacomodam o leitor à medida que a história avança. É muito bem realizado. Em Por que parei encontrei ecos de Borges e Kafka. Moça sonhando com Veneza e Um cachorrinho pequinês completam o quarteto dos que mais gostei. Este último me lembrou os belos contos de infância do Faraco.


Luiz Paulo Faccioli, 14/02/2004 - 00:004839

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