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O menino, a girafa e os livros - a importância e as consequências de ler para os filhos
Oscar Bessi


O pequeno Anthony completará três anos em breve. Sua mãe decide levá-lo ao zoolõgico pela primeira vez. E não se surpreende que a visita seja o ela chama de "redescobrimento". "É que ele já conhecia todos os animais através dos livros", explica, satisfeita com os resultados de uma prática que adotou assim que o bebê nasceu: ler para o menino. Anthony, no auge da maior aceleração no processo de desenvolvimento do cérebro durante a vida do ser humano, já conhece a girafa. E gosta dela, tem muito carinho pelo animal, pois conhece suas histórias e aventuras. Saberia identificá-la e falar sobre ela em teu tenro dialeto mesmo antes da visita.

Ler, mesmo que ainda na gravidez. O relatório "Becoming a Nation of Readers" traz um estudo maravilhoso sobre a importância de ler para os filhos e seus efeitos. Os reflexos positivos na saúde do bebê, da família, as habilidades e qualidades que a criança irá desenvolver. É a tão sonhada humanização em seu primeiro e essencial processo. Eu, por exemplo, não posso negar que toda minha relação com livros e leituras nasce lá na historinhas que minha mãe contava, quando ler ainda não era uma habilidade presente em mim, e não da bibliografia que me empurraram sem perguntar na escola lá no final dos anos 70. Ler deveria ser exercício incluído no pré-natal. Sim, somos país de não-leitores, com mamães acidentais e mesmo mamães conscientes do momentos que não tem atração alguma por livros, mal os conhecem. Mas, se quisermos pensar grande, na grandeza que merecem as esperanças, temos que nos permitir sonhar alto. Mesmo o impossível. Até porque tudo isto nos parece urgente e necessário em um país onde a violência tem ganhado cada vez mais espaço, em várias frentes e formas, e as relações têm sofrido com a ausência de densidade, respeito e compreensão. São apenas valores. Nenhum código ético ou religioso, nenhuma proibição disfarçada de moralidade, nada disso. Que não se deturpe a palavra "valores" como se ela fosse espada a serviço de intolerâncias neo-nazistas ou similares. Longe disso. Em seu verdadeiro conceito, nunca será. Falamos de valores humanos, básicos da racionalidade e que, de tão ausentes, têm nos tornado a mais predadora das espécies presentes no planeta: amor, respeito às diferenças, compreensão, carinho, honestidade, escrúpulo e muito mais. O que tonar alguns entre nós tão especiais, quando deveriam ser comuns. Componentes possíveis de tonar a existência mais bela, e melhor, sem a necessidade da escravidão mental alheia atrelada ao consumismo ou qualquer outro fanatismo travestido de ideal. Discernimento. Eis outra mágica que nasce da leitura. 

Mas como tornar a leitura um prazer, e não castigo, não algo difícil, não outro mero instrumento de "modelagem" cerebral - o que passa longe de incentivar o raciocínio crítico e independente? Permitir. Deixar ser como é, apenas instigar, proporcionar, cumprir seu papel de responsável - e ler para os filhos faz parte deste contexto, tão importante como acompanhar sua alimentação e sua saúde física. Na limitação da linguagem, respeitanto o pequeno leitor, tratando-o de igual para igual e participando junto da construção do processo, da história, do desenvolvimento. Permitindo a liberdade de escolha e do jeito de ler, mas tornando o momento da leitura algo mágico, sem pressões. Bom como só as brincadeiras conseguem ser. E durante o tempo que ela quiser. Que seja um minuto agora, ou que seja um hora. Importa é que seja algo deverdade dentro de uma vida.

Afeito. Amor. Proximidade. O mais importante de tudo o que a pesquisa aponta, creio, são estes efeitos "paralelos" que o hábito de ler para o filho cria. O relato de pais, mães e filhos que revelam que o simple ato de pegar no colo e iniciar uma leitura tem a força de um "eu te amo". E ficará para sempre marcado na alma daquele filho. Ler será aproximação, compartilhamento de fantasias e sorrisos, de descobertas, de aconchego, proximidade e afeto infinito. Dali surgirá um ser humano com a incrível capacidade de amar, naturalmente, até que nem conhece. Como Anthony amava a girafa quando a conheceu na vidade real. E já havia se tornada alguém incapaz de um gesto de agressão contra ela.

(a imagem escolhida para ilustra este texto está no link better-beginnings.com.au/tips-reading-your-toddler, bem bacana de ler)

 

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