Poema do livro Metal 3

Tela 1

Um homem azul anda de bicicleta.
Velho, velho e nu.
Seu rosto riscado
de quem não tem
mais nada a perder.
Seus pés no pedal
em direção ao prazer.
Prazer de quê? De viver.
Mesmo sabendo que vai morrer.
E morrer logo, pra ontem,
cada hora uma vitória.
Um passeio no azul,
o moribundo nos convida a viver.
Mas estamos muito vivos pra viver como ele,
sem nenhum segundo de morte.
Nossos rostos ainda não estão riscados
nem pintados de azul.

 

 

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