Leila Míccolis sobre “O menos vendido”

"De imediato, desde a primeira página, Ricardo sinaliza o material com que lida o tempo todo: sua poesia é de escultor, para poder desafiar a corrosão do descartável, e perdurar, permitindo uma inesgotável reflexão sobre as intertextualidadas das artes em nossas vidas (que papel elas exercem nos nossos passos de bailarinos ou de bêbados), e também sobre o nosso próprio tempo — "(...) o tempo/ matéria mais dura / que o cimento" —, esculpindo uma instigante rede de estratégias de reconhecimento do terreno da contemporaneidade.

O MENOS VENDIDO não almeja galgar a fama nem a trajetória dos best-sellers, até porque a poesia não acompanha o modismo ou a moda verão-inverno das estéticas descartáveis. Neste sentido, o livro pode até não encontrar milhões e milhões de leitores, como o título sugere, mas certamente atrairá os milhares que valorizam integralmente o poético - enquanto essência, ação e constructo -, encarando-o como respiradouro e prana vital aos já tão corroídos e lesados pulmões do mundo."

 

 

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