David Rodrigues sobre “O menos vendido”

Caro Ricardo: Para já a sua obra está, para mim, indissoluvelmente ligada aos aeroportos. Estou a regressar de Berlim e desta vez acabei de ler os livros que me ofereceu. Detive-me em particular n”O menos vendido”. Gostei muito da esfuziante criatividade com que usa a nossa língua: expressões correntes recontextualizadas tornam-se em verdadeiras máximas filosóficas. Para isso é preciso ter o “insight” de as desconstruir onde estão e reconstruídas onde queremos que estejam. Acho o seu livro e a sua visão, contributos para repensarmos o quotidiano, a origem do que fazemos e os valores sob os quais queremos viver. O quieto no meu canto (qual canto?) tem talvez os poemas que mais me comoveram por mobilizarem valores de vida com os quais me debato.Não posso deixar de lhe dizer o quanto a sua poesia me lembra o poeta português Alexandre O’Neill também ele um publicitário, “jongleur” da língua e um profundo analista das alegrias, decepções e vazios que estão por trás da nossa padronizada linguagem. Muito obrigado Ricardo. Espero, como Pedro seguiu Jesus, acompanhá-lo (sim, mas) de longe. Não tenho esperança de ter a sua oficina poética mas tenho o grande privilégio de poder saborear mesmo que não cozinhe... Um abraço do David Rodrigues (de Portugal)

 

 

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