Orelha do livro Palavra Mágica por Alice Ruiz



“Instrumento Atento

Aqui se confirma aquela velha desconfiança, o poeta não faz poesia. Ele é o instrumento com que a poesia se faz. Como um martelo de golpe certeiro, uma faca afiada, agulha que tece, sino da felicidade. A poesia é a mão/vento que os faz vibrar.

Coisas do zen que vem trabalhando esses instrumentos tão bem para que se tornem cada vez mais permeáveis, melhores condutores de poesia.

São muitos no caminho e poucos que chegaram, deixando dito o que tem que ser visto com essa humildade de se transformar em mero veículo. E não me venham dizer que isso é pouco ou que é fácil. Tem muita vaidade no ar atrapalhando o curso livre do rio das palavras/coisas. O zen diz sobre poesia: “fale das coisas como elas mesmas fariam, se pudessem”.

Silvestrin diz:
“palavra mágica
tudo que eu olho
vira palavra”.

E vira mesmo, embora ele também diga que “palavra e coisa/jamais serão a mesma coisa”, é só essa a busca impossível do poeta. É essa busca que faz com que ele chegue perto, muito perto, de tecer nas palavras os fios da vida e suas coisas. Coisa que o Silvestrin sabe fazer muito bem. No sabor da linguagem é que se vê se o instrumento foi bem cuidado. Esse, o Silvestrin, logo se vê que é um instrumento de ourivesaria, lapidando e lapidado, olhos soltos por tudo que vive, tirando dali sempre a gema mais brilhante.

E porque o eu se ausenta, permitindo que a vida nele se expresse, o poeta está aqui, completamente presente e completo. Político, psicanalítico, humorista, romântico, filosófico, esperto, brabo, doce. A cara dele.

Faz tempo que eu torço para que mais gente conheça a poesia do Silvestrin. Por uma questão prática de distribuição, poucos fora de Porto Alegre têm a alegria, como eu, de conhecer essa figura e a sua poesia.

Por isso, deixo uma praga: que a magia dessas palavras se espalhe logo por todo o Brasil. Sorte de quem as colher.”

Alice Ruiz
(Orelha do livro Palavra Mágica)


 

 

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