A graça poética de Ricardo Silvestrin

O autor do livro É tudo invenção, o gaúcho Ricardo Silvestrin, tem a poesia em alta conta. Desde os 15 anos, dedica-se a entender e a criar poesia. Graduado em Letras, enveredou também pelo território da teoria da literatura, além de conviver com vários poetas e, assiduamente, ler muita poesia.

"Já lancei sete livros, quatro para adultos e três para crianças. Em todos eles, o que estou fazendo é criando um poema. Quando perguntam se escrevo para crianças ou para adultos, digo que escrevo poesia", afirma Ricardo Silvestrin.

Nesta entrevista ao Boletim Ática, Ricardo explica a criação de É tudo invenção, aborda o processo infantil de percepção da obra literária, além de discorrer a respeito dos vários novos projetos em que está investindo.

Boletim Ática: Como É tudo invenção foi pensado e desenvolvido?
Ricardo Silvestrin: O livro começou com o poema "A invenção da dança". Foi como puxar um fio de um novelo sem fim.

Boletim Ática: Fale um pouco sobre a recepção infantil à sua obra. No caso de É tudo invenção, como avalia a percepção de sua poética pelas crianças?
Silvestrin: O trabalho do poeta é selecionar e combinar palavras para obter um efeito estranho-criativo. Mesmo o poema mais sério, mais choroso, mais adulto, tem esse aspecto lúdico da linguagem como princípio. Na poesia para crianças, o lúdico fica totalmente liberado. Somam-se a isso os assuntos e a abordagem para que as crianças entrem no livro e se sintam à vontade.
As crianças têm gostado muito das poesias, e os adultos também. Pensar sobre versões para como foram inventadas diversas coisas [a tônica de É tudo invenção] é uma especulação que começamos a fazer na infância e continuamos procurando a resposta pela vida afora.

Boletim Ática: Como foi a parceria com o ilustrador Luiz Maia?
Silvestrin: Acompanho o trabalho dele já há algum tempo. Acho que o Luiz tem muita afinidade com a minha poesia. Busca um ângulo inusitado, um olhar de surpresa, uma solução formal desacomodada - mas ao mesmo tempo comunicativa. O legal no livro é que ficam duas artes lado a lado num diálogo de formas e significações.

Boletim Ática: Há espaço para outro volume de invenções, algo como É tudo invenção II?
Silvestrin: Há espaço para É tudo invenção II, III, IV até o infinito.

Boletim Ática: Há novos projetos literários em pauta?
Silvestrin: Sim, muitos, tanto de poesia para adultos como para crianças. O que acontece com meus livros para adultos é que também alcançam uma universalização de leitura. Tem aluno de oitava série lendo.
Tenho um livro de haicais e duas obras para crianças prontos, três de poesia no prelo; estou escrevendo contos, reunindo minhas crônicas e ensaios. Quero escrever também um livro-oficina de poesia, haicai e letra de música. Comigo é só apertar o play que saio escrevendo.
E ainda tem o repertório dos PoETS, meu grupo. Estamos aprontando um CD com nossas canções. Abrimos com o nosso hino: "qualquer um pode ver/dentro da palavra poeta/tem um ET".

Data: 15/12/2003

 

 

acessos: 249325  | Site desenvolvido pela msmidia.com