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Reflexão

Cidades para pessoas
Marta Leiria

Dia desses, caminhava da minha casa, no bairro Três Figueiras, dos poucos desprovidos de arranha-céus, até o belo Parque Germânia, quando me deparei com um luxuosíssimo edifício com design inovador contendo uma portentosa árvore na sacada. Fiquei intrigada: será que o proprietário levou a natureza já bem calejada para as alturas? Por que não morar rente ao chão, onde ela naturalmente se encontra? Será que a pobre árvore vai vingar naquele local inóspito? Ou é apenas uma réplica como a que tenho na sala de casa? E me lembrei do arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl, que esteve aqui em Porto Alegre palestrando no Fronteiras do Pensamento sobre o tema de um de seus livros: cidades para pessoas.

Boquiabertos, conhecemos as soluções urbanísticas deste influente profissional em sua cidade natal, Copenhague, e em muitas outras mundo afora. Participa de movimento fundado em 1961, voltado para a dimensão humanística de planejamento urbano. Questionou: de que adianta a cidade ser bonita vista lá das alturas, como Brasília, se, no chão, a prioridade são ruas e viadutos abarrotados de automóveis? Se não há lugares onde as pessoas de todas as idades possam, com segurança, caminhar, se encontrar, transitar de bicicleta? Espaços agradáveis destinados a tomar um café em uma pausa do dia?

Revelou que, ao casar, sua mulher, psicóloga, lhe perguntava: "Por que arquitetos não estão interessados em pessoas?". Jan Gehl constata que muitas faculdades não mudaram. Estão tão ocupadas com a forma que esquecem que arquitetura é a interação entre forma e vida.

Confesso: naquela noite memorável saí do Salão de Atos da UFRGS com uma inveja brutal de quem mora em Copenhague, Melbourne, Moscou. Acima de tudo, a mensagem do arquiteto dinamarquês é de que qualquer cidade pode virar uma Copenhague se realmente quiser. Tenho esperança no nosso Cais Mauá. Basta investir nas coisas certas e pensar a longo prazo. Neste 15 de dezembro, Dia do Arquiteto, suplico: arquitetos, urbanistas, gestores públicos, uni-vos para que, também por aqui, as cidades sejam destinadas às pessoas!

01/08/2018

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  Marta Leiria

Marta Leiria Leal Pacheco formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFRGS em 1985. É Procuradora de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, tendo ingressado no Ministério Público em 1988. Em 2011 começou a escrever artigos na intranet do MP sobre o trabalho desenvolvido na área ambiental, passando a tratar também de assuntos não jurídicos (crônicas e contos). Publicou diversas crônicas e artigos em Zero Hora, O Sul e Jornal do Comércio. Participou de duas coletâneas organizadas pelo Professor Rubem Penz: Santa Sede, crônicas de botequim Safra 2016, e A Persistência do Amor, ganhador do Prêmio AGES, livro do ano de 2017, na Categoria Crônica.

martalealpach@gmail.com


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